Homem sedente que está, de beber o puro veneno da vida, correndo pelas veias de quem aos nossos olhos parece tão puro, na sublime pureza falsa que nos enche o coração e nos faz cegar, tornando-nos incapazes de interiorizar todo o cinismo completante de tal. Tardio o momento da revelação, mas sempre frustrante, dá-se a morte do coração por puro sentimento destroçado na verdade de uma verdade falsa descoberta. No rosto dócil de quem a verdade nunca negou, correm lágrimas de dor, ingenuidade e desilusão, perante alguém que tanto era e não o será jamais, chora um coração imperfeito, que do seu imperfeito dá aos outros o sentimento mais perfeito nem sempre encontrado.
Sempre caminhando pelas vastas estradas da vida, é com imensa falsidade que o ser humano se cruza, o que o leva a aprender a lidar com algo que por vezes incomoda, tamanho cinismo, tantas vezes referido, tantas vezes falado e inúmeras vezes praticado, tornando quem não o é abusadamente, (pois todos nós somos cínicos pelo menos uma vez na vida), num cínico saudável, mostrando importar-se com tudo o que escuta, o que não é verdade, guarda-o e segue.
No mínimo dos mínimos deveriam estas pessoas ter em consideração pelo menos alguns quantos sentimentos, e não dar de si o cinismo que pelo outro não lhe é entregue! Amar quem nos ama, manter longe quem nos inveja dizendo desprezar e esquecer quem, alguma vez, nos tentou derrubar, pisando-nos, sem consciência das consequências.